A nutricionista paulistana Ana Luiza Caetano Galvão brigou com a balança dos 8 aos 16 anos e só conseguiu virar o jogo quando aprendeu a se conhecer melhor e se aceitar. “Já tinha ido a médicos, spa, grupos de emagrecimento... mas só perdia peso com remédio. Era parar o tratamento para engordar de novo”, conta. Logo que começou a fazer terapia, seus amigos foram passar o Carnaval no litoral. “Fui para a casa da minha avó. Fugia da praia porque não queria que me vissem de maiô.” Pesava 99 quilos e morria de vergonha do seu corpo. Não ia a danceterias nem a points de paquera: “Me sentia rejeitada por não atrair os meninos”. Não conseguia controlar a compulsão para comer. Tomava café da manhã e, logo depois, comia um salgado na escola. Almoçava arroz, feijão, bife, batata frita, repetia o prato e encarava um doce de sobremesa. Passava a tarde vendo TV, devorando pão com manteiga, bisnaguinha com requeijão e salame, sorvete... No jantar, traçava um pratão. “Minha família pegava no meu pé e eu sofria por não corresponder as expectativas.” Levou um ano para a terapia surtir efeito e Ana perceber que tinha que se gostar mais. Foi quando decidiu encarar a reeducação alimentar e se animou ao ver uma entrevista com a atriz Cristiana Oliveira, que havia vencido a balança. Comprou livros, revistas de alimentação saudável, começou a fazer a própria comida e a comer bem devagar. No prato, pôs fruta, queijo cottage, cereal integral, grelhado e salada. Cortou doce e fritura, restritos ao fim de semana. Diante dos primeiros resultados, decidiu correr na esteira três vezes por semana. “Escrevia frases de incentivo, me desenhava magra e colava na geladeira, no espelho. Seis meses depois, já gostava mais de mim. Tanto que arrumei um namorado e baixei meu peso para 81 quilos.” Perdeu mais 20 quilos em oito meses, chegou aos 61 quilos e realizou um sonho: comprou um tubinho preto.
Ana Luiza Caetano Galvão Idade: 27 anos.
Altura: 1,71 metro.
Peso atual: 61 quilos.
Conquista: enxugou 38 quilos.
Tempo: 1 ano e 8 meses.
ansiedade gera compulsão para comer
“Quem quer emagrecer mas não consegue fechar a boca, belisca o dia inteiro e ataca a geladeira na calada da noite pode sofrer de compulsão alimentar, que afeta de 25 a 56% de quem procura perder peso”, conta o psicólogo Marco Antonio De Tommaso. A causa da compulsão pode ser stress, ansiedade, dificuldade de relacionamento e de lidar com os problemas. “A terapia ajuda a identificar a origem do problema e a superá-lo ou, pelo menos, enfrentá-lo de frente e, assim, estar apta para o desafio de encarar uma reeducação alimentar.”