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As ciclovias no Brasil

por Christina Biltoveni | foto Marcelo Correa

Se em alguns países é tão fácil usar a bike no trânsito, por que aqui no Brasil parece tão complicado? “As autoridades investem bilhões de reais em planejamento urbano destinado a veículos automotores e recusam-se a providenciar uma estrutura cicloviária integrada a outras formas de transporte”, enfatiza a biker e cicloativista Renata Falzoni, uma das pioneiras a levantar a bandeira a favor do uso da bicicleta como meio de transporte. O Rio de Janeiro é a cidade com a maior malha cicloviária do país. São três milhões de bikes (número maior do que o de automóveis em circulação) para cerca de 150 km de ciclovias, espalhadas principalmente nas orlas das praias. Curitiba conta também com 150 km de ciclovias que cortam toda a cidade. Em Porto Alegre, há até ônibus equipados com suporte para transportar bicicletas na parte dianteira.

São Paulo, com quase 20 milhões de habitantes, é a ovelha negra do país. Não existe nenhuma ciclovia que realmente possibilita o deslocamento dos ciclistas ao redor da cidade. Os poucos quilômetros ligam nada a lugar nenhum. A realidade paulistana é desesperadora: a frota de veículos cresce oito vezes mais que a população. Quinhentos novos carros entram em circulação em São Paulo por dia. Acrescente a esse número 160 outros veículos, de motos a ônibus e caminhões. Imagine que em 1976 a cidade tinha 13 mil quilômetros de ruas e avenidas e 1,4 milhão de veículos. Em 2007, são 5,6 milhões de carros. Pára-choque a pára-choque, eles precisariam de 21,4 mil quilômetros de vias públicas, mas só há 17,2 mil quilômetros. E uma das leis da física é irrevogável: dois corpos não ocupam o mesmo espaço.


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